VITINHO: A ESPERANÇA É UMA BRINCADEIRA ALEGRE.
Meu raio de observação como editor deste site de vez em quando esbarra numa dificuldade de reportar fatos que pertencem mais à cardiologia que à nefrologia.
Digo melhor: fatos que afetam mais o coração.Fatos humanos.
Um deles aconteceu hoje, ao receber a notícia de que um menino-paciente de diálise diária, o Vitinho, realizou seu transplante de rim com inteiro sucesso, num hospital de Porto Alegre.
Sua família preferiu o hospital gaúcho, o Moinhos de Ventos, porque lá a fila do transplante anda mais rápido.E o Vitor(o Vitinho, para todos os pacientes,médicos,e profissionais da clinica) precisava viver e crescer, crescer e viver.
Entrou na clinica como paciente desde tenra idade.Praticamente se desenvolveu na cadeira de diálise.
Médicos (as),enfermeiros (os) e técnicos (as) o adoram, dão-lhe atenção máxima, pois cada um resgata com ele seu lado maternal ou paternal.
E não pensem que o Vitinho abateu-se com o tratamento,mesmo passando quase toda a sua infância na diálise diária numa cadeira, atado durante duas horas a uma simpática máquina azul que foi sua melhor amiga nesse tempo todo - seu rim artificial.
È inquieto, menino inteligente e instigante,com seus óculos de vidro de garrafa que antecipam um futuro geniozinho da informática.
Quando cheguei à clínica, há dois anos e meio,atentei-me por conhecer aquele Vitinho de quem todos falavam com carinho.
Ludimila, nossa psicóloga,dava-lhe para ler e brincar revistinhas infantis e joguinhos para que se distraísse durante as duas horas de diálise.
Sorridente, brincalhão, cheio de vida,nada reclamava da punção das agulhinhas, e só ficava sinceramente mobilizado na hora do lanche.
Dr. Vilber Bello, estava muito feliz ontem quando me disse que o Vitinho já tinha viajado de Brasília para Porto Alegre com a mãe,e estava a caminho do hospital, para efetuar o transplante.Hoje soube que tudo correu 100%.
Foi um achado da sorte, pois a família do doador falecido doou os dois rins, e duas vidas se normalizaram por completo.Familia-cidadã!
Registro o episódio em minha coluna para que os demais pacientes tenham como exemplo de esperança e fé esse menino travesso que aguardou calmamente o seu dia.
E ele chegou, como uma brincadeira alegre...